Decidi fazer uma pausa e partilhar aquilo que ando a ouvir nas minhas pausas de Puccini... sim Puccini! tenho músicas tão lindas este ano!! Depois partilho, isso ia demorar mais tempo, mas valem a pena!
Aqui fica a minha Playlist de Adrenalina...estranho, nunca diria que me ia ligar a este tipo de música, mas quando precisamos de uma injecção de adrenalina parecem fazer efeito... época de exames é algo que não desejo a ninguém, quase sinto um ou outro neurónio já a definhar numa morte prematura...e eu que tinha tantos projectos para eles...enfim.
Morgen! é o último Lied de Richard Strauss... e na opinião de muitos (e tambémna minha) um dos mais bonitos (se não mesmo o mais bonito) dos Lieder que compôs. Integra os famosos "Vier letzte Lieder" (Quatro Últimas Canções)e é desde sempre cantado pelas mais belas vozes. O desenrolar da melodia pela orquestra é tão sublime que consegue tocar o fundo do ser... a forma como depois a voz e a orquestra cantam, fluindo uma em torno da outra é simplesmente lindo. Trago-vos Morgen! cantado por uma das mais bonitas vozes, que infelizmente já não podemos ouvir ao vivo... Elizabeth Schwarzkopf
O poema, de John Henry Mackay, é um dos textos mais bonitos dos Lieder de Strauss:
Und morgen wird die Sonne wieder scheinen, und auf dem Wege, den ich gehen werde, wird uns, die Glücklichen, sie wieder einen inmitten dieser sonnenatmenden Erde . . .
Und zu dem Strand, dem weiten, wogenblauen, werden wir still und langsam niedersteigen, stumm werden wir uns in die Augen schauen, und auf uns sinkt des Glückes stummes Schweigen. . .
Tradução
E amanhã o sol voltará a brilhar, e no caminho, que eu percorrerei, nós, os felizes, vamos reunir-nos de novo nesta terra que respira sol...
E à praia, vasta, de ondas azuis, desceremos lenta e tranquilamente, calados vamos olhar-nos nos olhos, e sobre nós descerá o mudo silêncio da felicidade.
As férias têm sempre o condão especial de me deixar a leste do paraíso (e de todos os outros sítios também), a sofrer de preguicite aguda com tendência a crónica se não fizer nada para o evitar.
E quando é preciso acordar e começar de novo no ritmo alucinante daquilo que é a minha santa vidinha, há que recorrer a tudo... esta é a música que escolhi hoje para ajudar a abrir a pestana ;)
Negras são as noites que envolvem as serras... Claras as manhãs que as despertam, espraiando a sua gentil luz sobre os campos, verdes, da cor do limão... Doces aromas chegam, trazidos pela brisa, vindos de onde o sol nasce e a noite se esconde... O olhar alarga-se até onde os sonhos se esfumam e os pensamentos se perdem, num doce divagar longe da realidade.
Esta é uma pequena amostra do resultado que tem, sobre mim, uma fresca manhã, ao som dos passarinhos e das ovelhas a avançar pachorrentas pelo pasto, de onde a neblina se levanta lentamente, deixando minúsculas gotinhas de orvalho em cada folha verde, numa casinha com cortinas brancas nas janelas, perdida algures numa das serras do verde Minho...
"Não há nada que me possa prender...sou um cavalo selvagem... um falcão... pertenço às montanhas e aos riachos... a erva conhece o meu acordar e as estrelas o meu adormecer...o meu canto ecoa pelas planícies do mundo inteiro... Dejte Klec Jestřábu - Ana Amado